"Justamente os dias que queremos que durem são aqueles que duram um, dois, três segundos."
Em "Apenas um dia" Gayle Forman tinha a missão de apresentar os personagens e desenvolver seu enredo, coisa que fez brilhantemente bem. Já em "Apenas um ano" a história é outra. Com os personagens já apresentados e a trama praticamente finalizada, o leitor tinha que se interessar o bastante a ponto de ler a mesma estória sobre outro ponto de vista, dessa vez seríamos os olhos de Willen.
Ao contrário do que a Editora Novo Conceito anuncia na capa, "Apenas um ano" não é a continuação de "Apenas um dia", como eu já disse, se trata da mesma estória só que agora narrada por outro protagonista, o que é arriscado justamente pela dificuldade em manter o leitor interessado ( por se tratar de um livro para jovens adultos, é mais arriscado ainda, já que o público perde o interesse muito rapidamente) , pois de um jeito ou de outro o leitor já conhece e sabe qual será o final. A grande sacada de Gayle, por incrível que pareça, foi não desenvolver seu personagem muito bem no livro anterior de forma que lacunas sobre a personalidade de Willen ainda estivessem abertas e pudessem ser preenchidas aqui.
"Apenas um ano" começa com Willem em um hospital se recuperando de graves ferimentos e com uma grande confusão mental. Aos poucos começa a se lembrar dos acontecimentos que o levaram a estar ali e a lembrança de sua "Lulu" começa a tomar conta de seus pensamentos. A partir daí começa uma busca não apenas para talvez encontrar o grande amor de sua vida, mas tem inicio uma jornada mundial de auto descoberta, onde Willen terá que lidar com sua família, seu luto ainda latente e consigo mesmo.
E é justamente nessa viagem de auto descoberta que a autora consegue mostrar a que veio; relatando detalhadamente e com muita riqueza cada novo destino de Willen. O sentimento que a autora faz cada lugar trasmitir é o mais interessante nessa duologia. Vamos descobrindo cada lugar com o protagonista ao mesmo tempo em que ele se desenvolve e se torna mais humano.
É interessante ler o desenvolvimento gradual de Willem, de "garanhão" a "viajante apaixonado" muita coisa acontece e Forman conseguiu dar um toque de realidade a tudo isso, inclusive para os personagens mais secundários que desempenham papeis fundamentais na auto descoberta de Willem.
A narração em primeira pessoa não prende o leitor apenas ao protagonista, é pessoal e impessoal, próxima mas não sufocante. Não consegui enjoar de Willem mesmo tentando. A leitura flui com rapidez e se torna cansativa apenas em alguns poucos momentos em que Willen se torna ligeiramente repetitivo.
A narração em primeira pessoa não prende o leitor apenas ao protagonista, é pessoal e impessoal, próxima mas não sufocante. Não consegui enjoar de Willem mesmo tentando. A leitura flui com rapidez e se torna cansativa apenas em alguns poucos momentos em que Willen se torna ligeiramente repetitivo.
Por fim, "Apenas um ano" fica como uma das melhores leituras do ano. Tecnicamente não é melhor que "Apenas um dia", mas pessoalmente o meu favorito. Como eu já disse, é um livro muito humano. Vale a leitura!
4.5/5

Autor: Gayle Forman
Editora: Novo Conceito
Páginas : 385
Sinopse:Em Apenas um Dia, os momentos de paixão entre Allyson e Willem foram interrompidos de maneira abrupta, lançando a jovem em um abismo de questionamentos e dor. Agora a história é contada pela voz de Willem. Sem saber exatamente o que o atraiu na garota de olhos grandes e jeito comportado, o rapaz inicia uma busca obsessiva por pistas que levem até a sua Lulu mesmo sem saber sequer o seu nome verdadeiro.
Enquanto tenta compreender o mistério que os separou, Willem se esforça para costurar relacionamentos desgastados e procura respostas para o futuro. Mais do que uma aventura de verão, o encontro em Paris significou para ele o início da vida adulta. Da mesma autora dos best-sellers Se Eu Ficar e Para Onde Ela Foi,
Apenas um Ano reúne todos os ingredientes de um romance imperdível: viagens, saudade, encontros, desencontros e amor.





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